quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Fisiologia da alma

Não tenho mãos
nem voz
nem pernas.
Só olhos
ouvidos
e as letras.

domingo, 16 de dezembro de 2007

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A cena (ou Jogo Subterrâneo timidamente versado)

Não sei em que dia conheci Ana.

Não sei em que linha de metrô me insustentava em pé,
para onde ia, de onde vinha.
Dessas coisas não sei.

Sei, entretanto, com toda certeza,
da cor de vinho do seu esmalte
e do brilho líquido que me secou a boca.

Foi então que grande fome
devorou os dias, os relógios, a papelada.
Se tivesse que escrever um poema
o faria pequenino, moleque
menino insolente
safado-sem-vergonha
como um deus caído numa noite etílica.

Talvez amassasse algum coração
no seu amassar repetido de latas,
mas a quem pusesse o olhar
faria mil formiguinhas formigarem
no fundo do estômago nauseado.

E se tivesse que escrever um único verso
seria breve e orgulhoso.
Não seria da minha alma
que a alma não merece ser cantada.
A alma é pra adorar abestalhada
o belo dolorido do poema.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

A Fantástica Jornada das Mil Vontades

Só iniciam a grande Jornada aqueles que já não suportam. Ela começa no exato ponto em que sua náusea é maior que sua covardia, depois do pequenino e estreito milímetro a partir do qual sua fome se tranfigura em autodigestão do estômago e da normalidade da rotina. Sobre atingir este ponto de inevitabilidade em que tudo que chama é irresistível, pouco posso esclarecer. É confuso este processo. Dos motivos, das causas, se voluntárias, conscientes, de cunho espiritual ou se limitadas a desvios psíquicos insocializáveis ou qualquer besteira filosófica, isso não me está claro. Mas o caso é que quando completo, é inegável.

(...)

sábado, 1 de dezembro de 2007

Mi viaje con Malú (trechos)

"Es cierto que Malú habla muy poco, porque según ella más vale vivir en el mundo de los sueños, y por lo mismo toda palabra es una forma que tiene el sistema de manipular. Ya que con las pocas palabras que pronuncia me advierte que el lenguaje es eso, es una forma de ser real, y es eso lo que tenemos que combatir. Insinúa que tenemos que luchar contra la realidad, y por eso, según ella, no podemos hablar."

"Hay veces que pienso que Malú está medio loca, pero ella me dice que no, que en verdad lo único que quiere es armarse mentalmente para pelear contra la normalidad. Yo le pregunto cosas de su mundo, pero vuelve a insistir que no debo hablar, que hablar no es pensar, y que utilizar el lenguaje es una forma de ser derrotados por la normalidad."

Raphael Vizeu
(Bonito, né?)


Futuro possível


Simbora?
Mixando 'Adelaide' com o bondinho... Desconfio que abri uma porta a mais no meu imaginário.