segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

tipos que eu to sentindo tanta coisa em tão pouco tempo que eu realmente acho que deveria escrever. eu escrevia pra organizar as idéias, mas nem é o caso. acho que to escrevendo pra fazer durar mais um pouquinho. :) e, sei lá, é muita coisa mas eu não me sinto como se tivesse sendo atropelada por coisa demais na cabeça. estranhamente, as coisas têm um ordenamento muito coerente. e a sensação de que são as coisas mais sensatas que já cogitei não passou depois que a onda das sementinhas passou. acho que são de fato as coisas mais sensatas que já fiz.

droga, eu nem sei contar coisas, principalmente se forem boas.

=P

sexta-feira, 23 de abril de 2010

- cara, te contei da quinta?

- o que? ah, é! como ficou a parada?

- po, sei lá cara... foi meio estranho...

- como?

- ah...

- vocês chegaram a...?

- mais ou menos... quer dizer, sabe como é... hehe

- caraca, tu é muito filho da puta hahahaha

- não cara, mas eu nem fui na intenção. tipo, fui mais porque ela pediu.

- ahm...

- aí ela falou aquelas coisas todas, falou um monte de coisa. fiquei malzão. me senti um merda.

- mas o que ela falou?

- ah, falou que eu não sei retribuir, que eu vivo me esquivando, que eu não sei me comprometer...

- hehehe

- po, fiquei mal cara. mesmo. me sentindo um canalha.

- mas cara, você por acaso queria se comprometer?

- não, eu sei, mas não é isso...

- ué, como não? é sim...

- eu sei cara, mas eu to falando que, po...

- o que?

- sei lá. às vezes eu concordo com ela.

- na verdade, eu também. às vezes.

- hahaha po, super tá me ajudando.

- ah cara, sei lá... você vai ficar chateado se eu disser?

- o que? não, po. fala aí. fala sinceramente.

- tem certeza?

- tenho, to falando.

- você é egoísta. viu? eu falei que você não ia querer ouvir.

- po, você acha isso mesmo?

- cara, não é exatamente um egoísta, mas de alguma forma você não sabe mesmo retribuir. mentira, você sabe. a questão não é essa. a questão é, você sabe o que eu to falando...

- o que?

- às vezes aceitar algo que você sabe que não vai retribuir é um troço mais filho da puta que tem. quer dizer, você conhece ela, você sabe o que ela quer. e sabe que por trás de toda essa coragem, essa decisão dela, na verdade ela só te dá colo porque quer o seu colo. cara, as pessoas são assim. na maior parte do tempo, as pessoas são assim. altruísmo quando envolve sexo é mentira.

- hahaha

- é verdade, cara. e você sabe disso.

- é... acho que sim

- agora, mudando de assunto, vamo ali comprar um cigarro rapidão.

- vamo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

- cara, eu sei, mas é foda sabe...

- eu sei, não to falando que é fácil. mas você desiste muito rápido também.

- não é questão de desistir sabe... eu não consigo mais. cansei.

- claro que consegue, po. você consegue qualquer coisa que você quiser. mas você não tem disciplina. você tem que tentar, ser persistente.

- eu sei, eu sei... sei lá... às vezes eu só tenho vontade de dormir. dormir muito, por muito tempo. descansar, sabe... sei lá, ir embora. mas também não adianta ir embora, pra onde eu for vai ser do mesmo jeito...

- como assim, cara? nad...

- não, é sim. tá em mim sabe. e eu não sei mais o que fazer com essa porra. não quero mais, mas não dá pra tirar. parece um parasita. sei lá...

- cara, eu não quero ser ingênuo a ponto de te sugerir aquelas coisas babacas e óbvias do tipo "saia mais" ou "veja seus amigos" e "procure se ocupar". eu não te subestimo, eu sei que você já pensou nisso e que não é só questão de saber que seria bom. não, eu vou falar sério aqui contigo. você tem que escolher. eu não posso te ajudar, ninguém pode. você tá sozinha sim. eu sei, isso é horrível de se dizer, mas você tá sozinha com essa porra sim. porq...

- pooooorra... tu quer me matar, né?

- não, cara. presta a atenção. o que eu to falando é muito sério e num certo nível da coisa nós estamos sim, irremediavelmente sozinhos. nem eu nem ninguém pode alcançar essa solidão, nem em você, nem em mim, nem em nenhum filho da puta que esteja caminhando sobre essa porra de mundo doido. e essa solidão você vai ter que aceitar. você tem muito o que apanhar sozinha. todos temos. a gente apanha sozinho todo dia. e quanto mais se demora pra aceitar isso, mais dura e maior é a tarefa. você tem que ser forte. e você vai ser, porque no fundo você quer sim alguma coisa. e sinceramente, esse teu desânimo aí, você só se permite a isso porque vc tem pessoas que te amortecem nas batidas dessa espiral maluca que vc se enfiou. eu duvido que você daria de cara no concreto. então o que eu to fazendo é te mostrar que tem um concreto. você tá me entendendo? não sinta pena de si mesma. eu não tenho pena de você.

- eu não sinto pena de mim mesma!

- então não aja como se sentisse. é foda pra você, eu nem sei o quanto é foda, talvez seja mais foda do que qualquer coisa que eu possa cogitar. mas não importa. o que importa é que eu te conheço. e eu to vendo quando eu olho pra você, eu to vendo que você não é tão fraca assim, o teu problema é que você se apóia no carinho que tem ou que consegue. sabe o que você precisa? você precisa se parir.

- ?

- você precisa dar a cara a tapa. po, qual foi, sabe? você tem que sentir o tranco pra descobrir que aguenta. então pára de se esquivar.

- eu não me esquivo de nada, eu to aqui, sabe... to aqui nessa porra, não to? e você acha que eu to me esquivando?

- eu tenho certeza. olha de frente, tenha o mínimo de coragem! e você tem, você só não usa por comodidade. a hora que o circo pegar fogo, eu duvido que você queime junto. agora por essa cara que você tá fazendo agora eu to vendo que você tá achando essa conversa uma merda. e eu não vou nem dizer que eu sinto muito, porque eu não sinto. você precisa se parir, e eu sei que você tá me entendendo, você não é burra. ... agora eu vou nessa, garota.

- vai lá mesmo?

- vou.

- você sabe o que vai acontecer, né? quer dizer, você sabe o que eu acho.

- eu sei. não conheço você?

- talvez. talvez eu pense sobre o que você falou.

- eu sei que vai. você não é muito difícil de adivinhar. até mais, garota!

- até...!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

- é, talvez. mas isso era de outra época, cara

- é, era sim... mas que seja, a questão não é essa.

- claro que é! qual é a questão, então?

- po, sei lá. é foda... se eu começar a falar eu vou ser repetitivo, sabe, e eu tenho muita preguiça de me repetir. mas é foda.

- cara, você viu aquela parada nova que tá rolando no Strange Days? é sábado, eu acho. parece manero, tava afim de ver qual é.

- que parada?

- po, é mó proposta manera. tipo, eles querem juntar meio o clima do que era o espaço há uns anos atrás, sabe, mais escondido, meio freak, com um som mais dançantezinho, sabe... deram uma reformada no espaço e tal. eu boto fé. e faz porra, muito tempo que não vou lá. bora, po.

- ah, nem animo cara.

- ahhh cara, qual é...

- você não sente preguiça?

- como assim? sinto ué.

- não. preguiça dessas porras. sabe... chegando lá vai ser a mesma porra de sempre, que a gente encontra em qualquer buraco "alternativozinho" ou sei lá como se auto-denominam. e sabe, isso nem é o problema. o problema é esse drama todo de inovar, sei lá, de ser modernoso, freak, cool ou sei lá que porra. sabe? qual f...

- ah, sei lá po, só acho que vai ser manero. a gente compra uma montilla antes po

- sabe? essas porras me cansam. eu não sei se você tá me entendendo, mas me cansa, sabe? essa coisa toda, essa loucura que de repente todo mundo ficou depois dos 15 anos de querer escutar tudo, e assistir a tudo e ler tudo e conhecer tudo e ir a todos os lugarezinhos e etc. po cara, vai pra porra, sabe? vai tudo pra porra. de repente se eu tivesse num buraco meu, analfabeto, sem saber quem é scorsese, sem nenhuma bandinha desconhecida do leste europeu pra chamar de minha descoberta eu tava lá muito mais satisfeito, sabe?

- sei coé

- cara, você tem noção do que é isso? as pessoas estão se agregando valor. porra! se agregando valor, tá entendendo? eles pegam toda essa avalanche de merdas e se injetam na veia, sei lá, saem por aí usando como próteses, como muletas, tá entendendo? isso é muito doido cara, isso é bizarro.

- pode crer, sei coé

- cara, sabe? eu não quero me agregar valor. eu aliás, nem acho que se eu pegar toda essa porra e pendurar no meu pescoço em cada porra de conversa, dobrar a mãozinha com cigarro e essas merdas, isso não vai, sabe, isso não é porra nenhuma... isso é uma merda desgraçada onde parece que tá todo mundo nadando sabe... é uma porra.

- sei lá. tipo geração perdida, é o que tu tá falando?

- não. sei lá. falando assim fica feio. mas que fique feio também. que se foda. tá vendo? eu to falando a mesma coisa que semana passada quando a carol tava aqui.

- hahaha pode crer. mas e o sábado? a gente leva uma montilla.

- sei lá. vamo ver.