domingo, 30 de setembro de 2007

Numa nova onda

As coisas mudaram...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

"Por isto existe no mundo
Um escravo chamado

Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro
Graal – Puro Cristal – Desespero
Rosa-robô – Cachorrinho – Tesouro,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.

Eucaristia – Ascensão – Desgraça,
Filé-mignon – Púbis, Traseiro – Alcatra,
Banca de Revista – Açougue Informal – Plena Praça,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial."

domingo, 23 de setembro de 2007

Pequena contradição a ser considerada

Juro que quero a maçã, ainda que a queira na forma de pêra.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Achado

Meu útero abriga uma saudade
que vai crescendo com os meses
como um feto em gestação
que nunca nasce.

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A poetisa chama Beatriz Tavares. Achei num blog aleatório. Me comoveu.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Do perfil do Gabriel...

"É necessário estar sempre bêbado. Tudo se resume a isso, eis o único problema. Para não sentir o fardo horrível do tempo, que abate e faz pender a terra, é preciso que nos embriaguemos sem cessar. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achar melhor. Contanto que nos embriaguemos.
E se, algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do nosso quarto, você despertar com a embriaguez já atenuada ou desaparecida , pergunta ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder.
- É a hora da embriaguez! Para não ser martirizado pelo tempo, embriagai-te. Embriaga-te sem tréguas.
De vinho, de poesia, ou de virtude, como achar melhor".

Baudelaire

Descoberta

A estrela da manhã tá guardada naquele sorriso... Ou será que nos olhos?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Estrela da manhã

Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã!

Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda a parte

Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã!

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigo

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra
[e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás

Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã


Manuel Bandeira

domingo, 16 de setembro de 2007

De como se (in)sustentam as coisas

Porque se eu falar, se eu decidir construir qualquer encadeamento de palavras que seja sobre isso, então eu não poderei mais parar. Se eu falar, com a primeira sílaba virão mais e mais, tão rapidamente cuspidas que se sobreporão umas às outras formando esse bolo desesperado de palavras e então, ah, então tudo ficará imobilizado sob o peso disso que chamam verdade, coisa questionável e questionada.

Então mantenho a serenidade. Aparente apenas, mas que é eficaz como a serenidade de verdade para efeitos externos. E calo. O dia e suas voltas ajudam. Calo e esqueço até que a noite chegue e o sono me permita berrar em silêncio seguro. O sono é a hora em que a coisa pode saltar pra fora livremente, bicho solto no escuro, com sua raiva, sua saliva e seu cheiro de pavor.

Por isso preciso tanto do meu sono. Meu sono é a coluna que sustenta o peso imobilizador de uma verborragia súbita.

Algo, porém. E permaneço acordada.

A iminência me assusta.

sábado, 15 de setembro de 2007

Virei fã...

"Lá fora a noite. Me contaram uma vez de olhos tão escuros que absorviam tudo. Aqueles olhos eram de alguém , de alguma pessoa no mundo que havia amado e sido amada e talvez não tivesse conseguido dormir, exatamente como agora. É em tais olhos que penso, em olhos de noite que não se negam a ver a pequenez e que por isso mesmo me fariam sentir pequena."

Cès Lisa

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Ócio depressivo

Esses fds de três dias estão acabando comigo. Segunda é meu novo domingo, com o agravante de ver a humanidade funcionar enquanto eu fico jogada no sofá.

Alguém me arruma aulas na segunda, pleeeease!

domingo, 2 de setembro de 2007

Nada é tão assustador pra uma mulher quanto descobrir na sua mãe, aquela que segura sua onda, aquela que é seu porto seguro, uma mulher que, em grau muito maior que ela própria, carrega todo o peso e toda a dor de ser mulher nos ombros.

O medo é incalculável.

sábado, 1 de setembro de 2007

Generosidade

Hoje não é um dia de sorrisos, nem um dia de lágrima. Hoje é um dia de mãos dadas. Não mãos dadas na obviedade de um encontro, nem mãos que conduzem. Mãos, na verdade, nem mutuamente dadas. Hoje é um dia de mãos que procuram e apertam outras mãos. E esse aperto é tão maior que o toque, é um aperto das mãos das almas. Isso, talvez seja isso: almas segurando uma as mãos da outra no meio do caos de egos. E esse gesto é de uma generosidade tão comovente que eu não saberia descrever.