segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

pelo contrário, um monte de gente me disse que ia ser fácil. nunca me convenci totalmente, mas não deixo de lamentar o fato de estarem errados.

a falta de rotina já começa a me afetar. já tem tanta coisa misturada que não sei mais diferenciar o que inventei do resto.

acho que preciso fazer aquela pergunta de novo.

é, acho que sim.
respira fundo, relaxa.

mais uma vez.

não se esquece daquilo tudo que te faz quase desmaiar de tão doce.

respira fundo, fecha os olhos.

não esquece.

não esquece.

vai dormir, e não esquece.

it's those little superstitions that get me through the stress and strain

let's make the most of it
the time we've got together
quit all the secrets that are
choking up your heart
and tearing all the light from the stars

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

belo belo belo
tenho tudo que não quero

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

bróder, tô eu aqui de novo. não consigo largar dessa coisa. põe um rock alto e escuta enquanto seu corpo se balança involuntariamente.

meus pés descalços tão andando no escuro e eu acabei de quebrar um copo. de volta ao de sempre, do qual provavelmente nunca saí.

qualquer nóia tem esse cheiro de casa, de familiar. é como se eu voltasse pro meu lugar, por mais que eu não ache nada de feliz nisso.

nem de triste, é verdade. to cascuda já. imagina com 40, vou ser pura casca, sem nem recheio, se der mole.

to precisando de mudança, mas ainda não descobri onde. deve ser em tudo, sei lá. nóia é filha do tédio, e o tédio vai minar tudo que deixar ele se achegar.

me sinto capaz de qualquer coisa. me sinto forte, e você não sabe como isso é raro e estranho.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

já faz tempo que esse blog é um arquivo e que assim seja enquanto der na telha.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

stay tranquilo (uhh la-lá)

brothers of brazil é relativamente bom. não fosse pelo histórico musical do supla ser algo um pouco pior que medonho, acho que não impressionava ninguém. faça merdas inacreditavelmente ruins antes de ser esperto e você vai parecer genial.

o tempo tá ruim, mas é melhor que sol. me sinto exposta em dias de sol.

broxei. é reversível? acho que passa, uma semana que passe e eu espero esquecer.

o mundo acontecendo e eu aqui, acordando meio-dia de camisa de vereador de uns 8 anos atrás, deve ser. pelo menos to emagrecendo.

faz uma semana que não sinto fome. faz 4 dias que não almoço. meu último almoço foi feijão e banana. é bom.

eu devia dar uma volta lá fora, só pra marcar presença no mundo.

se não passar em uma semana, não passa mais. ou passa em um mês, mas um mês é tempo demais pra alimentar minhocas na cabeça. não sei se aguento.

já ouviu falar no clube de nadismo? http://www.marboh.com.br/clubedenadismo/p%20manifesto.html

meu ouvido esquerdo tem coçado como nunca.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

"tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho"

Pablo Neruda

quinta-feira, 17 de julho de 2008

não gosto do rock de hoje, não gosto da maneira como as pessoas se relacionam hoje e, mesmo não tendo conhecido outra, tenho certeza de que já houve melhor. se não houve, que se invente. não gosto dos cortes de cabelo de hoje. não gosto dessas porras de estampas gigantes que tão usando aí. também não gosto das miúdas, dos padrõezinhos. não gosto de viver dura e acho a passagem muito cara, o ingresso do cinema também. não gosto de precisar de dinheiro, não gosto de querê-lo. não gosto de gente que põe qualquer coisa da vida na frente das outras, embora haja excessões realmente tocantes. não gosto de não ter tempo, não gosto de ter tempo demais, que são duas formas de se saber que o está perdendo. não gosto que me digam que eu preciso assistir ou ouvir qualquer merda que seja. se eu fosse analfabeta, nunca tivesse ouvido joy division e não soubesse quem é buñuel, podia ser muito bem satisfeita no meu buraco. não gosto de tomar banho. se eu tiver deprimida e não for sair de casa, fico 2 dias feliz multiplicando minhas caracas. e acho um banho de manhã e outro de noite o suficiente pra uma convivência sem distúrbios comigo mesma e com os outros, embora muitas vezes pule o banho da noite, já que raramente há alguém comigo após as 22h. o verão é excessão. não gosto de entrevistas de emprego/estágio. não gosto de ter que inevitavelmente fazer algo da minha vida. passaria feliz minha vida ouvindo aos mesmos 5 discos, lendo 'cem sonetos de amor' do neruda e vendo meu cabelo crescer. não gosto de bandas novas, não gosto que me enfiem goela abaixo uma enxurrada de novidades e tecnologias das quais não preciso. não gosto de me acostumar às novidades e aceitar que preciso delas. acho que o mundo devia ouvir the clash. não gosto que façam cara de 'meu deus!' quando eu digo com quantos anos trepei pela primeira vez. problema é seu se demorou, ok? não gosto de tirar fotos. não gosto de morar em apartamento. daria meu dedo mindinho por um lugar pra andar de bicicleta todo dia. não gosto de gente blasé e gente fútil. acho brega e sacal. não gosto da maneira com que se tratam animais não-humanos. não gosto muito de ser eu na maior parte do tempo. não gosto do jeito que tudo é transformado em algo chato e estéril em nome de ser produtivo e rentável. não gosto de produtivos e rentáveis.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Felicidade não cabe num poema, mesmo que ele tenha mais de 347 versos.


Não cabe.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

essas flores
quando vi
já me vinham crescendo
desde o dedão do pé
até os cabelos
emaranhadas
nos meus dedos

quarta-feira, 9 de abril de 2008

as goteiras a gente
já tapou esse
pau-a-pique tropeçante
vai subindo todo flor
café bolo e aconchegar

vou varrer pôr tapete
pra passar o inverno
jardinar em volta remexer
a terra o adubo é bom
vai verdear já verdeou
que deu gosto de ver
os bichos farreando

a ração é farta a água
já caiu anda caindo
vai verdear? mais verdeará
que os bichos farreiam a gente
se apega arruma asseia
costuro eu a gente veste
você desvetimos
nós e os nós
pra deitar na paz gramada
do quintal dessa preguiça

terça-feira, 8 de abril de 2008

não há nada a cantar.
que há?
uma noite úmida
ofício pela metade
e uma lacuna.

não há nada a cantar.
se houvesse, não cantaria.
minha voz já rouqueou
minha paixão broxou
e nem fome dá.

não quero nada que cantar.
cantar é coisa de uns
que se aguentam sobre os pés.
eu que nem me sei
não sirvo senão pra hesitar.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Prepare tudo que é seu
Veja se nada você esqueceu
Pois amanhã vamos pra rua fazer
Fazer uma tremenda anarquia
Pintar as ruas de alegria
Porque quem manda hoje somos nós, mais ninguem
E nao ligamos pra quem vai nem quem vem atrapalhar
A quem nos queira atrapalhar

Nossa cidade será uma flor
As avenidas com carros de amor
Pois amanhã vamos pra rua fazer
Fazer uma tremenda anarquia
Pintar as ruas de alegria
Porque quem manda hoje somos nós mais ninguém
e nao ligamos pra quem vai nem quem vem atrapalhar
a quem nos queira atrapalhar

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Do par

Hoje vou de um par de poemetos que quase brigam pela repetição da idéia. É que a coisa me rendeu, e me rendeu como nenhuma coisa tinha rendido nesse tempão todo sem postar nada. Me preocupa a reprodução de algumas construções, me senti amarrada depois do parto do primeiro. Eu me precisei demais delas no segundo. E veja que primeiro é o mais abaixo, o segundo este mais acima. O segundo me saiu tão gostoso que na vaidade quase quis matar o precursor, e isso ainda não tá descartado não. Mas por enquanto, melhor ficamos assim, o primeiro rebaixado a incubadora e o segundo elevado a digestão completa. E vamos vendo como fica.

(Já dava saudade isso aqui...)
Não te quero porque te preciso, não.

Teu cheiro é supérfulo
e tua pele, dispensável à minha.
Meus ouvidos ouvem bem sem tua voz.
E minha alma se sustenta,
entre tropeços e glórias,
sem à tua imagem pedir ajuda.

É que meu nariz te escolhe
na molecagem de escolher
entre muitos cheiros deliciosos
o que quiser,
por simples exercício
de poder escolher o que convém.

Minha pele passa bem e inteira sem a tua.
Nada lhe falta, nem sol nem alimento.
Mas minhas células quiseram as tuas,
assim, só quiseram.
Já que podem querer...

E, livre na arbitrariedade do gosto,
é a coisa mais verdadeiramente querida
de todas as coisas
de todas as pessoas
que andam tanto necessitando.

(Ainda não sei o que faço da última estrofe)
Que seja única a necessidade
de fazer, aprender e amar
o incontestavelmente inútil
daquilo que se escolhe por puro gosto.

E que seja único o critério de escolha
quase aleatório de tão frouxo
do que prefere a bicicleta à maçã,
mas a quem serviria tanto o martelo quanto o chapéu.

Desde que lhe desse na telha.