Não tenho mãos
nem voz
nem pernas.
Só olhos
ouvidos
e as letras.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
domingo, 16 de dezembro de 2007
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
A cena (ou Jogo Subterrâneo timidamente versado)
Não sei em que dia conheci Ana.
Não sei em que linha de metrô me insustentava em pé,
para onde ia, de onde vinha.
Dessas coisas não sei.
Sei, entretanto, com toda certeza,
da cor de vinho do seu esmalte
e do brilho líquido que me secou a boca.
Foi então que grande fome
devorou os dias, os relógios, a papelada.
Não sei em que linha de metrô me insustentava em pé,
para onde ia, de onde vinha.
Dessas coisas não sei.
Sei, entretanto, com toda certeza,
da cor de vinho do seu esmalte
e do brilho líquido que me secou a boca.
Foi então que grande fome
devorou os dias, os relógios, a papelada.
Se tivesse que escrever um poema
o faria pequenino, moleque
menino insolente
safado-sem-vergonha
como um deus caído numa noite etílica.
Talvez amassasse algum coração
no seu amassar repetido de latas,
mas a quem pusesse o olhar
faria mil formiguinhas formigarem
no fundo do estômago nauseado.
E se tivesse que escrever um único verso
seria breve e orgulhoso.
Não seria da minha alma
que a alma não merece ser cantada.
A alma é pra adorar abestalhada
o belo dolorido do poema.
o faria pequenino, moleque
menino insolente
safado-sem-vergonha
como um deus caído numa noite etílica.
Talvez amassasse algum coração
no seu amassar repetido de latas,
mas a quem pusesse o olhar
faria mil formiguinhas formigarem
no fundo do estômago nauseado.
E se tivesse que escrever um único verso
seria breve e orgulhoso.
Não seria da minha alma
que a alma não merece ser cantada.
A alma é pra adorar abestalhada
o belo dolorido do poema.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
A Fantástica Jornada das Mil Vontades
Só iniciam a grande Jornada aqueles que já não suportam. Ela começa no exato ponto em que sua náusea é maior que sua covardia, depois do pequenino e estreito milímetro a partir do qual sua fome se tranfigura em autodigestão do estômago e da normalidade da rotina. Sobre atingir este ponto de inevitabilidade em que tudo que chama é irresistível, pouco posso esclarecer. É confuso este processo. Dos motivos, das causas, se voluntárias, conscientes, de cunho espiritual ou se limitadas a desvios psíquicos insocializáveis ou qualquer besteira filosófica, isso não me está claro. Mas o caso é que quando completo, é inegável.
(...)
sábado, 1 de dezembro de 2007
Mi viaje con Malú (trechos)
"Es cierto que Malú habla muy poco, porque según ella más vale vivir en el mundo de los sueños, y por lo mismo toda palabra es una forma que tiene el sistema de manipular. Ya que con las pocas palabras que pronuncia me advierte que el lenguaje es eso, es una forma de ser real, y es eso lo que tenemos que combatir. Insinúa que tenemos que luchar contra la realidad, y por eso, según ella, no podemos hablar."
"Hay veces que pienso que Malú está medio loca, pero ella me dice que no, que en verdad lo único que quiere es armarse mentalmente para pelear contra la normalidad. Yo le pregunto cosas de su mundo, pero vuelve a insistir que no debo hablar, que hablar no es pensar, y que utilizar el lenguaje es una forma de ser derrotados por la normalidad."
Raphael Vizeu
(Bonito, né?)
"Hay veces que pienso que Malú está medio loca, pero ella me dice que no, que en verdad lo único que quiere es armarse mentalmente para pelear contra la normalidad. Yo le pregunto cosas de su mundo, pero vuelve a insistir que no debo hablar, que hablar no es pensar, y que utilizar el lenguaje es una forma de ser derrotados por la normalidad."
Raphael Vizeu
(Bonito, né?)
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Vomitando indignações
Não quero o querível, o querível me nauseia. Quero é querer sem a crueldade imperdoável de ter que avaliar o quanto me permite querer o que de fato quero. Quero querer o valor incalculável do que nada vale. O valor inestimado e ignorado do que de nada serve. Não quero querer meios pra querer, os meios que são só adiamentos do fim. Cansei, profunda e irreversivelmente, desse querer indireto e mentiroso. O fim é agora.
"Eu sou um pouco Charlie Brown" versão onírica
Sonhei que era sufocada por um amigo brincando de fazer massagem cardíaca. Eu tentava dizer que estava mesmo sufocando, tentava empurrá-lo mas não tinha força e ele só apertava mais, mais, mais! Quando ele parou, eu só chorava, abria a boca mas o som não saía. Tentava agitar os braços mas não podia. Era como se meus pulmões tivessem sido tão comprimidos que o ar não conseguisse mais entrar neles. E era estranho, me sentia extremamente humilhada. As pessoas em volta discutiam o que aconteceu sem preocupação nenhuma enquanto eu tentava respirar quase sem conseguir. Depois me levavam pra um lugar onde tinha um bolo, algumas outras pessoas conhecidas e muitas crianças que nunca vi. Era meu aniversário e eu não conseguia abrir a boca, só chorava atrás do bolo enquanto todo mundo cantava parabéns. Eu tava morrendo e ninguém percebia. Pareciam zumbis, robôs, sei lá, qualquer coisa tão presa ao ritual que não conseguiam ver que eu caía no chão no meio da coisa toda.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
(Manoel de Barros)
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
(Manoel de Barros)
"Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
(Alberto Caeiro)
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
(Alberto Caeiro)
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
sábado, 24 de novembro de 2007
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Não fosse o sertão,
essas terras vazias,
paragens fantasmas
de oco e poeira...
Não fosse o buraco,
mil margens sem ponte
no peito da gente,
ela pudesse chegar...
Há que se fazer caminho!
há que se abrir estrada!
de chão ou de ferro, que importa,
na carne e na alma.
Talharei eu uma via estreita
com minhas unhas famintas,
tão estreita que ela não possa,
no meio, dar meia-volta.
essas terras vazias,
paragens fantasmas
de oco e poeira...
Não fosse o buraco,
mil margens sem ponte
no peito da gente,
ela pudesse chegar...
Há que se fazer caminho!
há que se abrir estrada!
de chão ou de ferro, que importa,
na carne e na alma.
Talharei eu uma via estreita
com minhas unhas famintas,
tão estreita que ela não possa,
no meio, dar meia-volta.
sábado, 17 de novembro de 2007
terça-feira, 13 de novembro de 2007
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
sábado, 3 de novembro de 2007
Da mudança
Achei merecido um post exclusivo para tratar da minha arte paintiana que agora to exibindo aí. Achei merecido, não porque valha exaltar qualquer coisa nisso além do fato de apenas 3 letras serem ilegíveis. Mas porque uma explicação deve ser dada, ou melhor, não deve, mas é bom que seja dada porque me redime do incompreensível do ridículo. E, você sabe, o ridículo incompreensível definitivamente não vale a pena. Então ao que interessa. Escrever no paint usando o lápis é a segunda coisa no meu top 3 de coisas dificílimas-pra-não-dizer-impossíveis. (A primeira é ter um relacionamento pleno e feliz e a terceira é emagrecer antes do verão.) E por isso achei que representava bem o quanto é difícil pra mim escrever qualquer coisa. Nada aqui é natural, nada aqui é imediato. Tudo tem o peso de um trabalho meticuloso que, na maior parte das vezes, tem como único mérito sinalizar uma intenção e um esforço.
E as letrinhas coloridas, bom, elas são felizes, não são? : )
E as letrinhas coloridas, bom, elas são felizes, não são? : )
Psicofloria
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Resgatando já postados
"- Você seguiu seu caminho - disse Brunet. - Você é filho de burgueses, não pode vir até nós assim sem mais nem menos, tem que libertar-se. Agora já o conseguiste. És livre. Mas para que te serve esta liberdade, se não para tomar posição? Você gastou trinta e cinco anos na tua limpeza e o resultado dela é um vácuo. És um corpo estranho, sabes - continuou com um sorriso amigo. - Vives no ar, cortaste os laços burgueses e não te ligaste ao proletariado, flutuas, és um abstrato, um ausente. Não deve ser muito divertido todos os dias...
- Não - disse Mathieu - nem sempre é divertido.
Aproximou-se de Brunet e sacudiu-o pelos ombros com força. Gostava imensamente dele.
- Meu caro aliciador de recrutas - disse - minha cara puta velha, gosto que digas tudo isso.
Brunet sorriu distraído. Seguiu sua idéia. Disse:
- Você renunciou a tudo para ser livre. Dê mais um passo, renuncie à própria liberdade. E tudo te será resolvido.
- Você me fala como um bom cura - disse Mathieu rindo. - Seriamente, meu caro, não seria um sacrifício. Bem sei que tudo me seria devolvido, carne, sangue, paixões de verdade. Escuta Brunet, acabei por perder o sentido da realidade, nada mais se me afigura inteiramente verdadeiro.
(...)
-Você é bem real - disse Mathieu. - Tudo aquilo que você toca parece real. desde que entraste no meu quarto ele parece verdadeiro e me enoja.
Acrescentou subitamente:
- És um homem.
- Um homem? - Brunet indagou surpreso. - O contrário fora inquietante. Que quer dizer com isso?
- Nada, a não ser que escolheste ser um homem.
Um homem de músculos fortes e elásticos, que pensava por meio de curtas e severas verdades, um homem reto, sóbrio, seguro de si, terreno refratário às angélicas tentações da arte, da psicologia, da política, um homem inteiriço, um homem apenas. E Mathieu ali estava, diante dele, indeciso, mal envelhecido, mal cozido, assediado por todas as vertigens do inumano. E pensava: "Eu não pareço um homem".
Brunet levantou-se.
- Pois faz como eu - disse. - Que te impede de fazê-lo? Ou imaginaste que poderás viver a vida inteira entre parêntesis?"
- Não - disse Mathieu - nem sempre é divertido.
Aproximou-se de Brunet e sacudiu-o pelos ombros com força. Gostava imensamente dele.
- Meu caro aliciador de recrutas - disse - minha cara puta velha, gosto que digas tudo isso.
Brunet sorriu distraído. Seguiu sua idéia. Disse:
- Você renunciou a tudo para ser livre. Dê mais um passo, renuncie à própria liberdade. E tudo te será resolvido.
- Você me fala como um bom cura - disse Mathieu rindo. - Seriamente, meu caro, não seria um sacrifício. Bem sei que tudo me seria devolvido, carne, sangue, paixões de verdade. Escuta Brunet, acabei por perder o sentido da realidade, nada mais se me afigura inteiramente verdadeiro.
(...)
-Você é bem real - disse Mathieu. - Tudo aquilo que você toca parece real. desde que entraste no meu quarto ele parece verdadeiro e me enoja.
Acrescentou subitamente:
- És um homem.
- Um homem? - Brunet indagou surpreso. - O contrário fora inquietante. Que quer dizer com isso?
- Nada, a não ser que escolheste ser um homem.
Um homem de músculos fortes e elásticos, que pensava por meio de curtas e severas verdades, um homem reto, sóbrio, seguro de si, terreno refratário às angélicas tentações da arte, da psicologia, da política, um homem inteiriço, um homem apenas. E Mathieu ali estava, diante dele, indeciso, mal envelhecido, mal cozido, assediado por todas as vertigens do inumano. E pensava: "Eu não pareço um homem".
Brunet levantou-se.
- Pois faz como eu - disse. - Que te impede de fazê-lo? Ou imaginaste que poderás viver a vida inteira entre parêntesis?"
SARTRE, Jean- Paul
A idade da razão
A idade da razão
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Sei lá, cara!
Eu sabia há cinco minutos atrás.
(E, você sabe, cinco minutos é tempo demais pra sustentar uma certeza desse gênero.)
sábado, 27 de outubro de 2007
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Pra quem ainda tá achando que é brincadeira
Trecho do comunicado da Ocupação da UFF à sociedade. Ler na íntegra aqui.
"No fim da plenária, quando nos encontrávamos em situação razoavelmente dispersa, duas viaturas da Polícia Federal chegaram ao prédio da reitoria com um mandato de reintegração e posse. Os policiais exigiram a desocupação imediata do prédio e deram ao movimento um prazo até amanhã de manhã para que esta seja realizada. Alegaram ainda que a abordagem era pacífica, mas ficou implícito que caso a desocupação não se realizasse... a polícia tomaria, por sua vez, “as medidas cabíveis”.
É dessa forma que o reitor Roberto Salles quer garantir a liberdade e a democracia na universidade: chamando a polícia federal contra os estudantes que têm como desejo garantir a universidade pública e de qualidade para todos.
É imprescindível denunciar a sociedade como se está tentando aprovar o decreto do Reuni nas universidades federais: com golpes, violência e, principalmente, total esfacelamento da parca democracia conquistada pelos movimentos sociais acadêmicos. Nem mesmo os conselhos universitários, onde o setor majoritário estudantil é minoria, estão sendo respeitados."
"No fim da plenária, quando nos encontrávamos em situação razoavelmente dispersa, duas viaturas da Polícia Federal chegaram ao prédio da reitoria com um mandato de reintegração e posse. Os policiais exigiram a desocupação imediata do prédio e deram ao movimento um prazo até amanhã de manhã para que esta seja realizada. Alegaram ainda que a abordagem era pacífica, mas ficou implícito que caso a desocupação não se realizasse... a polícia tomaria, por sua vez, “as medidas cabíveis”.
É dessa forma que o reitor Roberto Salles quer garantir a liberdade e a democracia na universidade: chamando a polícia federal contra os estudantes que têm como desejo garantir a universidade pública e de qualidade para todos.
É imprescindível denunciar a sociedade como se está tentando aprovar o decreto do Reuni nas universidades federais: com golpes, violência e, principalmente, total esfacelamento da parca democracia conquistada pelos movimentos sociais acadêmicos. Nem mesmo os conselhos universitários, onde o setor majoritário estudantil é minoria, estão sendo respeitados."
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Dei uma travada nas postagens, né... Perdi o tom nesses dias, que andam meio atropelados. 3759 coisas na cabeça, todas por fazer, e mais um zilhão de possibilidades esperando num canto o tempo que não vem.
Ok, eu nem to lá tão sem tempo. Só to imersa na grande desorganização de horários de sempre e precisando dar fim nas pendências acadêmicas.
Depois, aí veremos.
Depois, aí veremos.
domingo, 21 de outubro de 2007
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
A Criação
se tivesse que escrever sobre os ovos diria
todas as cascas são frágeis
todas as gemas são caras
todas as claras são santas
e o resto é todo vida
se engaiolar não quero
se deixar fugir
que voe
todos os ovos têm penas
tiranos e catequizadores
que não me perdoem
Heyk Pimenta
Seguindo a tradição de postar sem pedir permissão.
Um grande poema de um grande menino.
todas as cascas são frágeis
todas as gemas são caras
todas as claras são santas
e o resto é todo vida
se engaiolar não quero
se deixar fugir
que voe
todos os ovos têm penas
tiranos e catequizadores
que não me perdoem
Heyk Pimenta
Seguindo a tradição de postar sem pedir permissão.
Um grande poema de um grande menino.
domingo, 14 de outubro de 2007
sábado, 13 de outubro de 2007
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Nostalgia
Uôu. Ressuscitando Nirvana. Deve ter uns bons dois anos que não toco nos cds e uns quatro que deixei de ouvir. É minha mais nova estratégia pra me reorganizar. Uma versão menos nobre de um retorno às origens como caminho para o auto-conhecimento, saca?
E gentem, o 'Bleach' é muito foda! Ouçam. É sujo e fofo: 'About a girl' e 'Love buzz' junto com 'Scoff' e 'Negative creep' no mesmo álbum é pirante.
Acho que nem quando eu tinha 13 anos e era tiete eu curtia tanto como agora. O fundamentalismo não deixava. Tinha músicas que eu simplesmente não conseguia ouvir e agora enquanto to ouvindo 'School' (que era uma que me matava) dá até saudadinha.
E se ainda tem alguém por aí que acha que Nirvana é 'Nevermind', amigo, te falar que você não sabe de nada. Particularmente, prefiro os dois cds que considero os mais simples e diretos nas melodias e letras: 'Bleach' e 'Incesticide'. São mais crus. Mas reconheço que pouca gente vai concordar comigo nisso, esse cru do Nirvana não é o maaais apreciado. Então se tiver que recomendar um cd, recomendo o 'In Utero'. Nele tem músicas que são tocantes de verdade e é mais melódico que os outros, tem bem pouco dos grunhidos do 'Bleach'.
É isso, minha gente. Seguirei reencontrando Kurt, Novoselic, Grohl e meus pedacinhos antigos, pra dar continuidade à minha reedição (ou faxina? ou sei lá) emocional que programei pro feriado.
PS: Ô coisa estranha postar me dirigindo a interlocutores. hehe... Acho que até esqueço que tem gente que lê, ou pelo menos visita, isso aqui... (Sim, inacreditável, mas é o que dizem as estatísticas.)
E gentem, o 'Bleach' é muito foda! Ouçam. É sujo e fofo: 'About a girl' e 'Love buzz' junto com 'Scoff' e 'Negative creep' no mesmo álbum é pirante.
Acho que nem quando eu tinha 13 anos e era tiete eu curtia tanto como agora. O fundamentalismo não deixava. Tinha músicas que eu simplesmente não conseguia ouvir e agora enquanto to ouvindo 'School' (que era uma que me matava) dá até saudadinha.
E se ainda tem alguém por aí que acha que Nirvana é 'Nevermind', amigo, te falar que você não sabe de nada. Particularmente, prefiro os dois cds que considero os mais simples e diretos nas melodias e letras: 'Bleach' e 'Incesticide'. São mais crus. Mas reconheço que pouca gente vai concordar comigo nisso, esse cru do Nirvana não é o maaais apreciado. Então se tiver que recomendar um cd, recomendo o 'In Utero'. Nele tem músicas que são tocantes de verdade e é mais melódico que os outros, tem bem pouco dos grunhidos do 'Bleach'.
É isso, minha gente. Seguirei reencontrando Kurt, Novoselic, Grohl e meus pedacinhos antigos, pra dar continuidade à minha reedição (ou faxina? ou sei lá) emocional que programei pro feriado.
PS: Ô coisa estranha postar me dirigindo a interlocutores. hehe... Acho que até esqueço que tem gente que lê, ou pelo menos visita, isso aqui... (Sim, inacreditável, mas é o que dizem as estatísticas.)
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Mais de Lispector...
" - Sei, é ruim segurar a minha mão. É ruim ficar sem ar nessa mina desabada para onde eu te trouxe sem piedade por ti, mas por piedade por mim. Mas juro que te tirarei ainda vivo daqui - nem que eu minta, nem que eu minta o que meus olhos viram. Eu te salvarei deste terror onde, por enquanto, eu te preciso. Que piedade agora por ti, a quem me agarrei. Deste-me inconscientemente a mão, e porque eu a segurava é que tive coragem de me afundar. Mas não procures entender-me, faze-me apenas companhia. "
................................................................................................................................
Exatamente a primeira coisa que li hoje de manhã...
domingo, 7 de outubro de 2007
Nota pública de repúdio às exigencias absurdas a que me constrange o mundo
Minha crença nas pessoas não vai acabar. Minha fome de ler não vai diminuir. Minha vontade de beber não vai ficar pra depois. Meu tesão não vai minar. Meu carinho não vai esgotar. Minha vontade de levantar da cama não vai se esconder com medo do dia. Minha saudade não será sublimada. Meus objetivos não serão modificados por cáculos de probabilidade. Minhas necessidades não serão negligenciadas. Minha fé não vai apagar.
Cansei de negociar com o mundo.
Ele que morda a bunda se não gostar.
Cansei de negociar com o mundo.
Ele que morda a bunda se não gostar.
sábado, 6 de outubro de 2007
domingo, 30 de setembro de 2007
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
"Por isto existe no mundo
Um escravo chamado
Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro
Graal – Puro Cristal – Desespero
Rosa-robô – Cachorrinho – Tesouro,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.
Eucaristia – Ascensão – Desgraça,
Filé-mignon – Púbis, Traseiro – Alcatra,
Banca de Revista – Açougue Informal – Plena Praça,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial."
Um escravo chamado
Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro
Graal – Puro Cristal – Desespero
Rosa-robô – Cachorrinho – Tesouro,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.
Eucaristia – Ascensão – Desgraça,
Filé-mignon – Púbis, Traseiro – Alcatra,
Banca de Revista – Açougue Informal – Plena Praça,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial."
domingo, 23 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Achado
Meu útero abriga uma saudade
que vai crescendo com os meses
como um feto em gestação
que nunca nasce.
----------------------------------------------------
A poetisa chama Beatriz Tavares. Achei num blog aleatório. Me comoveu.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Do perfil do Gabriel...
"É necessário estar sempre bêbado. Tudo se resume a isso, eis o único problema. Para não sentir o fardo horrível do tempo, que abate e faz pender a terra, é preciso que nos embriaguemos sem cessar. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achar melhor. Contanto que nos embriaguemos.
E se, algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do nosso quarto, você despertar com a embriaguez já atenuada ou desaparecida , pergunta ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder.
- É a hora da embriaguez! Para não ser martirizado pelo tempo, embriagai-te. Embriaga-te sem tréguas.
De vinho, de poesia, ou de virtude, como achar melhor".
Baudelaire
E se, algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do nosso quarto, você despertar com a embriaguez já atenuada ou desaparecida , pergunta ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder.
- É a hora da embriaguez! Para não ser martirizado pelo tempo, embriagai-te. Embriaga-te sem tréguas.
De vinho, de poesia, ou de virtude, como achar melhor".
Baudelaire
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Estrela da manhã
Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã!
Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda a parte
Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã!
Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário
Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos
Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras
Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto
Depois comigo
Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra
[e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás
Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã
Manuel Bandeira
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã!
Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda a parte
Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã!
Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário
Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos
Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras
Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto
Depois comigo
Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra
[e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás
Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã
Manuel Bandeira
domingo, 16 de setembro de 2007
De como se (in)sustentam as coisas
Porque se eu falar, se eu decidir construir qualquer encadeamento de palavras que seja sobre isso, então eu não poderei mais parar. Se eu falar, com a primeira sílaba virão mais e mais, tão rapidamente cuspidas que se sobreporão umas às outras formando esse bolo desesperado de palavras e então, ah, então tudo ficará imobilizado sob o peso disso que chamam verdade, coisa questionável e questionada.
Então mantenho a serenidade. Aparente apenas, mas que é eficaz como a serenidade de verdade para efeitos externos. E calo. O dia e suas voltas ajudam. Calo e esqueço até que a noite chegue e o sono me permita berrar em silêncio seguro. O sono é a hora em que a coisa pode saltar pra fora livremente, bicho solto no escuro, com sua raiva, sua saliva e seu cheiro de pavor.
Por isso preciso tanto do meu sono. Meu sono é a coluna que sustenta o peso imobilizador de uma verborragia súbita.
Algo, porém. E permaneço acordada.
A iminência me assusta.
Então mantenho a serenidade. Aparente apenas, mas que é eficaz como a serenidade de verdade para efeitos externos. E calo. O dia e suas voltas ajudam. Calo e esqueço até que a noite chegue e o sono me permita berrar em silêncio seguro. O sono é a hora em que a coisa pode saltar pra fora livremente, bicho solto no escuro, com sua raiva, sua saliva e seu cheiro de pavor.
Por isso preciso tanto do meu sono. Meu sono é a coluna que sustenta o peso imobilizador de uma verborragia súbita.
Algo, porém. E permaneço acordada.
A iminência me assusta.
sábado, 15 de setembro de 2007
Virei fã...
"Lá fora a noite. Me contaram uma vez de olhos tão escuros que absorviam tudo. Aqueles olhos eram de alguém , de alguma pessoa no mundo que havia amado e sido amada e talvez não tivesse conseguido dormir, exatamente como agora. É em tais olhos que penso, em olhos de noite que não se negam a ver a pequenez e que por isso mesmo me fariam sentir pequena."
Cès Lisa
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Lembrete importante para dias em que não me dá vontade de sair da cama
Algumas pessoas simplesmente entendem tudo.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Ócio depressivo
Esses fds de três dias estão acabando comigo. Segunda é meu novo domingo, com o agravante de ver a humanidade funcionar enquanto eu fico jogada no sofá.
Alguém me arruma aulas na segunda, pleeeease!
Alguém me arruma aulas na segunda, pleeeease!
domingo, 2 de setembro de 2007
sábado, 1 de setembro de 2007
Generosidade
Hoje não é um dia de sorrisos, nem um dia de lágrima. Hoje é um dia de mãos dadas. Não mãos dadas na obviedade de um encontro, nem mãos que conduzem. Mãos, na verdade, nem mutuamente dadas. Hoje é um dia de mãos que procuram e apertam outras mãos. E esse aperto é tão maior que o toque, é um aperto das mãos das almas. Isso, talvez seja isso: almas segurando uma as mãos da outra no meio do caos de egos. E esse gesto é de uma generosidade tão comovente que eu não saberia descrever.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Manoel de Barros
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Manoel de Barros
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Pequena homenagem não-autorizada
"E eu penso isso tudo quando há alguém do meu lado e o silêncio da noite não me deixa dormir. Aquela divisão de travesseiro interfere, me perturba, e do meu tradicional desmaio me vejo voltada à insônia. Não é bem uma insônia, é o meu descompasso cardíaco insuficiente que não me relaxa, a dúvida que pulsa, aquela paz concretizada naquela outra pessoa e que não se estende a mim. Frequentemente abro os olhos e demoro a reconhecer quem é, não porque tenham sido muitos - talvez justamente por não terem sido tantos, permaneço incrédula dianteda confiança naquele dormir.
Não consigo. Cogito vagamente que aquele abandono me é inatingível, a mim resta o outro lado, a mente sempre tensa de hipóteses, e tudo me deixa sem ar. Há sempre uma luz acesa que culpo, uma luz acesa caleidoscópia e reflexiva que ricocheteia meus lados obscuros. Gostaria de ignorá-los sobre o colchão. Não consigo. É tudo quente e macio, o mundo pausa nestas noites, tudo se suspende, choro, raiva, sessão de filmes, para renascer resignado em seguida. Eu não. Sou incapaz. Penso que esta não é a minha matéria, confio apenas em mim, durmo apenas comigo e meus espectros - e no entanto poderia dizer tantas coisas aos que dormem!
Repetiria para eles como são lindos e como os invejo, contaria histórias mil, todas verdadeiras, oriundas desta quebra de espaço que é a madrugada. Diria tudo, sem omitir algo que seja, neste horário em que nada beira o esdrúxulo e tudo ganha uma aura de segredo. Não são segredos. Sção sempre as mesmas histórias amontoadas num colchão. Me orgulho das pessoas que são, sem reticências, eu declararia todo o meu afeto com o aval da escuridão e usurpando sua doçura, sua maciez. e meu amor transcende minha fraqueza, ele aparece inteiriço porque é apenas palpável. Talvez a luz o corrompa."
Não consigo. Cogito vagamente que aquele abandono me é inatingível, a mim resta o outro lado, a mente sempre tensa de hipóteses, e tudo me deixa sem ar. Há sempre uma luz acesa que culpo, uma luz acesa caleidoscópia e reflexiva que ricocheteia meus lados obscuros. Gostaria de ignorá-los sobre o colchão. Não consigo. É tudo quente e macio, o mundo pausa nestas noites, tudo se suspende, choro, raiva, sessão de filmes, para renascer resignado em seguida. Eu não. Sou incapaz. Penso que esta não é a minha matéria, confio apenas em mim, durmo apenas comigo e meus espectros - e no entanto poderia dizer tantas coisas aos que dormem!
Repetiria para eles como são lindos e como os invejo, contaria histórias mil, todas verdadeiras, oriundas desta quebra de espaço que é a madrugada. Diria tudo, sem omitir algo que seja, neste horário em que nada beira o esdrúxulo e tudo ganha uma aura de segredo. Não são segredos. Sção sempre as mesmas histórias amontoadas num colchão. Me orgulho das pessoas que são, sem reticências, eu declararia todo o meu afeto com o aval da escuridão e usurpando sua doçura, sua maciez. e meu amor transcende minha fraqueza, ele aparece inteiriço porque é apenas palpável. Talvez a luz o corrompa."
SOARES, Cecília
(ou Cès Lisa)
(ou Cès Lisa)
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Cecília, querida, espero que perdoe o pequeno abuso de postar seu texto sem pedir antes. Mas é que não podia não fazê-lo. Enquanto eu o digitava, ia lamentando, com uma invejinha que é quase bonita, você já te-lo escrito. Do fundo do meu estômago inseguro e medroso, era o que eu gostaria de ter escrito e então estaria já satisfeita. O bom, e isso é muito, é que ao me privar da vaidade de ter escrito, me dá um presente que é da maior delicadeza do mundo: a identificação das almas. É um prazer me ver racionalizada (ou melhor seria dizer sentida e digerida?) por outra alma. Especialmente a sua.
: ) Profundamente encantada,
uma reverência e incontáveis beijinhos.
: ) Profundamente encantada,
uma reverência e incontáveis beijinhos.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Clarice Lispector is God!
"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. e voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia - a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la - , na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora?"
Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia - a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la - , na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora?"
A paixão segundo G.H.
Clarice Lispector
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Clarice Lispector
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Se você não perde uma terceira perna pelo menos umas 3 vezes por ano, então, honey, você não está vivendo.
: )
: )
domingo, 26 de agosto de 2007
Let Go
" So let go, jump in
Oh well, whatcha waiting for?
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown"
Frou Frou
É ou não é a coisa mais bonitinha do dia?
Oh well, whatcha waiting for?
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown
So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'cause there's beauty in the breakdown"
Frou Frou
É ou não é a coisa mais bonitinha do dia?
sábado, 25 de agosto de 2007
Dos motivos não ditos
Minha insegurança é uma aranha.
E se alimenta tal qual uma aranha. Injeta suas enzimas nas paixões, nos planos e em tudo o mais que cair em sua teia, para então sugar tudo o que os dá forma e sentido, deixando pra trás só a casca vazia do que fora uma beleza de contornos bem definidos.
Minha inseguraça se move tal qual uma aranha. Silenciosa e rápida. Quando vemos, ela já está lá, de teia tecida. O caminho percorrido e o trabalho mudo, o envolvimento gradual de cada ponto significativo, disto não se dá conta. Mas então já tudo está desesperadoramente ligado, e qualquer movimento desestruturaria o todo.
Minha insegurança me assusta tal qual uma aranha. O pavor que me causa me desequilibra a tal ponto que abandono meu quarto à noite e meus amantes em camas desfeitas.
E, como quando era criança denunciava aos adultos eventuais aranhas, ainda hoje denuncio aos outros a minha. Quando me ouvem, procuram contrariados em minha argumentação a tal aranha como procuravam os adultos entre meus brinquedos.
Mas todos têm sempre a mesma pressa. Não compreendem os movimentos e as artes esquivadoras das aranhas. Elas têm seu sentido de oportunidade. Nunca se mostram quando há sol e sons, há ares, passos e vozes. É de noite que surgem, a andar pelas paredes, quando todos já estão dormindo.
Um dia, quando eu me perder num medo ou numa solidão, essa aranha virá a mim. Com seu esqueleto de quitina e seu passo secreto, me envolverá por completo em seus fios.
E então estará consumado.
Minha inseguraça se move tal qual uma aranha. Silenciosa e rápida. Quando vemos, ela já está lá, de teia tecida. O caminho percorrido e o trabalho mudo, o envolvimento gradual de cada ponto significativo, disto não se dá conta. Mas então já tudo está desesperadoramente ligado, e qualquer movimento desestruturaria o todo.
Minha insegurança me assusta tal qual uma aranha. O pavor que me causa me desequilibra a tal ponto que abandono meu quarto à noite e meus amantes em camas desfeitas.
E, como quando era criança denunciava aos adultos eventuais aranhas, ainda hoje denuncio aos outros a minha. Quando me ouvem, procuram contrariados em minha argumentação a tal aranha como procuravam os adultos entre meus brinquedos.
Mas todos têm sempre a mesma pressa. Não compreendem os movimentos e as artes esquivadoras das aranhas. Elas têm seu sentido de oportunidade. Nunca se mostram quando há sol e sons, há ares, passos e vozes. É de noite que surgem, a andar pelas paredes, quando todos já estão dormindo.
Um dia, quando eu me perder num medo ou numa solidão, essa aranha virá a mim. Com seu esqueleto de quitina e seu passo secreto, me envolverá por completo em seus fios.
E então estará consumado.
sábado, 18 de agosto de 2007
Post desprovido de nome, utilidade e significado
Se o blog tivesse porta, provavelmente eu bateria nela antes de postar, limparia meus pés num provável tapete e pediria licença acenando com a cabeça. Faz tanto tempo que não escrevo nada de verdade aqui que é quase como se não fosse mais meu. Eu diria que tenho sido negligente ao administrá-lo, mas isso é quase indecente, se pensarmos no que realmente representa estar sendo negligente com algo. Ou melhor, se pensarmos na necessidade de uma cota mínima de importância a ponto de ser possível negligenciar. É até meio vergonhoso ter cogitado a possibilidade de se negligenciar um blog. Coisa de pessoa sem vida social... Blog já é coisa de pessoa sem vida social... Um blog que ninguém lê então!
Que seja, a questão não é essa. Nem outra, eu devo dizer. Hoje não há questão, não há nem sequer um assunto específico, a não ser a vontade esquisita de falar e falar supondo interlocutores dos quais eu posso tranquilamente ignorar as reações imediatas ao que digo. Há os ouvidos, mas não há frases de resposta nem expressões de reprovação. Essa sutileza e esse charme que o blog tem é que não me deixam abandoná-lo. Blogs são um dos poucos lugares socialmente aceitos para egocentrismos desse tipo. Latas de lixo sociais.
E se não fosse a preguiça absoluta desse instante, eu me deixaria seduzir por esse charme e vomitaria um monte de coisa aqui.
Que seja, a questão não é essa. Nem outra, eu devo dizer. Hoje não há questão, não há nem sequer um assunto específico, a não ser a vontade esquisita de falar e falar supondo interlocutores dos quais eu posso tranquilamente ignorar as reações imediatas ao que digo. Há os ouvidos, mas não há frases de resposta nem expressões de reprovação. Essa sutileza e esse charme que o blog tem é que não me deixam abandoná-lo. Blogs são um dos poucos lugares socialmente aceitos para egocentrismos desse tipo. Latas de lixo sociais.
E se não fosse a preguiça absoluta desse instante, eu me deixaria seduzir por esse charme e vomitaria um monte de coisa aqui.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
sábado, 4 de agosto de 2007
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
terça-feira, 31 de julho de 2007
Norah Jones na veia
"The sun just slipped its note below my door
And I can't hide beneath my sheets
I've read the words before so now I know
The time has come again for me
And I'm feelin' the same way all over again
Feelin' the same way all over again
Singin' the same lines all over again
No matter how much I pretend"
And I can't hide beneath my sheets
I've read the words before so now I know
The time has come again for me
And I'm feelin' the same way all over again
Feelin' the same way all over again
Singin' the same lines all over again
No matter how much I pretend"
Sunny sunny day!

Dias nublados e frios quando só dá pra escutar Billie Holiday e ler Augusto dos Anjos são necessários. É quando a gente recompõe o que vai sendo gasto e racionaliza o que o atropelo dos acontecimentos não deixou. É quando a gente conversa com si mesmo, com toda franqueza e calma. E quando, inevitavelmente, junta-se um monte de minhocas paranóicas na cabeça. Mas sol e céu azuuul pedem INXS no último volume, janelas abertas e cabeça leve-nas-nuvens, tudo muitíssimo bem-vindo nesses dias.
E que se esqueçam as minhocas!
domingo, 29 de julho de 2007
Pequena nota de desabafo musical
Móveis Coloniais de Acaju? Jemt, isso é uma merda! O vocal é tosco e as letras são terrivelmente desinteressantes. 'Sadô-masô' não é música, é escarro instrumental sem ritmo ne-nhum! Soa mal cara, soa muito mal! 'Menina-moça' é uma derrota poética. O cara simplesmente rima "ão" uma música inteeeira! Os caras não conseguem e ponto. Uma bosta!
Me sinto mais aliviada.
Me sinto mais aliviada.
sábado, 28 de julho de 2007
Tengo hambre de tu boca...
Tengo hambre de tu boca, de tu voz, de tu pelo
y por las calles voy sin nutrirme, callado,
no me sostiene el pan, el alba me desquicia,
busco el sonido líquido de tus pies en el día.
y por las calles voy sin nutrirme, callado,
no me sostiene el pan, el alba me desquicia,
busco el sonido líquido de tus pies en el día.
Estoy hambriento de tu risa resbalada,
de tus manos color de furioso granero,
tengo hambre de la pálida piedra de tus uñas,
quiero comer tu piel como una intacta almendra.
Quiero comer el rayo quemado en tu hermosura,
la nariz soberana del arrogante rostro,
quiero comer la sombra fugaz de tus pestañas
y hambriento vengo y voy olfateando el crepúsculo
buscándote, buscando tu corazón caliente
como un puma en la soledad de Quitatrúe.
Pablo Neruda
..............................................................................................................
Porque tudo que é quente e tudo que é urgente, é muito mais quando é Neruda. E pela coincidência engraçada de terem me mandado este poema faminto logo depois de eu ter escrito (e antes de publicar) o último post.
É tempo de fomes, queridos. É tempo de fomes...
Porque tudo que é quente e tudo que é urgente, é muito mais quando é Neruda. E pela coincidência engraçada de terem me mandado este poema faminto logo depois de eu ter escrito (e antes de publicar) o último post.
É tempo de fomes, queridos. É tempo de fomes...
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Indescrição
Eu sou a minha fome.
Meu corpo,
em cada fibra imersa em sangue,
é minha fome.
Minha fome dá forma a minhas mãos,
minha fome move meus pés,
minha fome rebola meus quadris.
Meus olhos só vêem através de minha fome.
Minha fome, e não meu corpo,
é que exala este cheiro,
e é minha fome, não meu cérebro,
que pári idéias e come lembranças.
Minha fome me faz um ser
de paixões viscerais e sentimentos físicos.
Amo com o estômago
e sinto na língua o gosto da saudade.
Nos punhos cerrados é que odeio
e na cegueira me revolto.
Minha fome fez de mim
um ser de paixões absolutas em si mesmas
e não faz diferença do objeto destas.
Sou agora um ser
que se consome e se aniquila
na sua plenitude de sangue,
carne
e ácido estomacal.
A fome é a medida e o porquê
de tudo o que passa pelos meus sentidos.
Minha fome sou eu.
Meu corpo,
em cada fibra imersa em sangue,
é minha fome.
Minha fome dá forma a minhas mãos,
minha fome move meus pés,
minha fome rebola meus quadris.
Meus olhos só vêem através de minha fome.
Minha fome, e não meu corpo,
é que exala este cheiro,
e é minha fome, não meu cérebro,
que pári idéias e come lembranças.
Minha fome me faz um ser
de paixões viscerais e sentimentos físicos.
Amo com o estômago
e sinto na língua o gosto da saudade.
Nos punhos cerrados é que odeio
e na cegueira me revolto.
Minha fome fez de mim
um ser de paixões absolutas em si mesmas
e não faz diferença do objeto destas.
Sou agora um ser
que se consome e se aniquila
na sua plenitude de sangue,
carne
e ácido estomacal.
A fome é a medida e o porquê
de tudo o que passa pelos meus sentidos.
Minha fome sou eu.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
sábado, 14 de julho de 2007
quinta-feira, 12 de julho de 2007
quarta-feira, 11 de julho de 2007
A velha Grande Questão
"- Você seguiu seu caminho - disse Brunet. - Você é filho de burgueses, não pode vir até nós assim sem mais nem menos, tem que libertar-se. Agora já o conseguiste. És livre. Mas para que te serve esta liberdade, se não para tomar posição? Você gastou trinta e cinco anos na tua limpeza e o resultado dela é um vácuo. És um corpo estranho, sabes - continuou com um sorriso amigo. - Vives no ar, cortaste os laços burgueses e não te ligaste ao proletariado, flutuas, és um abstrato, um ausente. Não deve ser muito divertido todos os dias...
- Não - disse Mathieu - nem sempre é divertido.
Aproximou-se de Brunet e sacudiu-o pelos ombros com força. Gostava imensamente dele.
- Meu caro aliciador de recrutas - disse - minha cara puta velha, gosto que digas tudo isso.
Brunet sorriu distraído. Seguiu sua idéia. Disse:
- Você renunciou a tudo para ser livre. Dê mais um passo, renuncie à própria liberdade. E tudo te será resolvido.
- Você me fala como um bom cura - disse Mathieu rindo. - Seriamente, meu caro, não seria um sacrifício. Bem sei que tudo me seria devolvido, carne, sangue, paixões de verdade. Escuta Brunet, acabei por perder o sentido da realidade, nada mais se me afigura inteiramente verdadeiro.
(...)
-Você é bem real - disse Mathieu. - Tudo aquilo que você toca parece real. desde que entraste no meu quarto ele parece verdadeiro e me enoja.
Acrescentou subitamente:
- És um homem.
- Um homem? - Brunet indagou surpreso. - O contrário fora inquietante. Que quer dizer com isso?
- Nada, a não ser que escolheste ser um homem.
Um homem de músculos fortes e elásticos, que pensava por meio de curtas e severas verdades, um homem reto, sóbrio, seguro de si, terreno refratário às angélicas tentações da arte, da psicologia, da política, um homem inteiriço, um homem apenas. E Mathieu ali estava, diante dele, indeciso, mal envelhecido, mal cozido, assediado por todas as vertigens do inumano. E pensava: "Eu não pareço um homem".
Brunet levantou-se.
- Pois faz como eu - disse. - Que te impede de fazê-lo? Ou imaginaste que poderás viver a vida inteira entre parêntesis?"
SARTRE, Jean- Paul
A idade da razão
- Não - disse Mathieu - nem sempre é divertido.
Aproximou-se de Brunet e sacudiu-o pelos ombros com força. Gostava imensamente dele.
- Meu caro aliciador de recrutas - disse - minha cara puta velha, gosto que digas tudo isso.
Brunet sorriu distraído. Seguiu sua idéia. Disse:
- Você renunciou a tudo para ser livre. Dê mais um passo, renuncie à própria liberdade. E tudo te será resolvido.
- Você me fala como um bom cura - disse Mathieu rindo. - Seriamente, meu caro, não seria um sacrifício. Bem sei que tudo me seria devolvido, carne, sangue, paixões de verdade. Escuta Brunet, acabei por perder o sentido da realidade, nada mais se me afigura inteiramente verdadeiro.
(...)
-Você é bem real - disse Mathieu. - Tudo aquilo que você toca parece real. desde que entraste no meu quarto ele parece verdadeiro e me enoja.
Acrescentou subitamente:
- És um homem.
- Um homem? - Brunet indagou surpreso. - O contrário fora inquietante. Que quer dizer com isso?
- Nada, a não ser que escolheste ser um homem.
Um homem de músculos fortes e elásticos, que pensava por meio de curtas e severas verdades, um homem reto, sóbrio, seguro de si, terreno refratário às angélicas tentações da arte, da psicologia, da política, um homem inteiriço, um homem apenas. E Mathieu ali estava, diante dele, indeciso, mal envelhecido, mal cozido, assediado por todas as vertigens do inumano. E pensava: "Eu não pareço um homem".
Brunet levantou-se.
- Pois faz como eu - disse. - Que te impede de fazê-lo? Ou imaginaste que poderás viver a vida inteira entre parêntesis?"
SARTRE, Jean- Paul
A idade da razão
terça-feira, 10 de julho de 2007
Dando início ao novo bobolog
Esse me parece que vai ser público. Sim, parece meio redundante dizer que um blog vai ser público, mas o antigo bobolog não era. Ou melhor, não é, não pude tirar do ar. Faltou coragem de deletar tanta lembrança, tanta coisa. Mas continuar a postar nele não dava. Tava tão impregnado daquele ar pesado de medo que eu não podia mais escrever lá.
Esse aqui tá com cheiro de caderno novo, cheiro doce de recomeço. Parece que aqui vai caber tudo: os risos de criança, os olhares debochados, as conversas etílicas e tudo o mais.
Esse aqui tá com cheiro de caderno novo, cheiro doce de recomeço. Parece que aqui vai caber tudo: os risos de criança, os olhares debochados, as conversas etílicas e tudo o mais.
De resto, se não render, paciência. Já se sabe que começar é o que eu sei fazer de melhor, dar continuidade é outra história bem mais cheia de complicações.
Mas complicações definitivamente não são o assunto que cabe no momento. O que cabe agora é curtir. Curtir e deixar o começo começando livremente, solto que nem cabelo no vento, sem adiantar estresses ou racionalizações desencantadoras. Que o começo se desenrole, pois, tal qual uma florzinha inusitada e boba, crescendo sem se dar conta no cimento.
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