Porque se eu falar, se eu decidir construir qualquer encadeamento de palavras que seja sobre isso, então eu não poderei mais parar. Se eu falar, com a primeira sílaba virão mais e mais, tão rapidamente cuspidas que se sobreporão umas às outras formando esse bolo desesperado de palavras e então, ah, então tudo ficará imobilizado sob o peso disso que chamam verdade, coisa questionável e questionada.
Então mantenho a serenidade. Aparente apenas, mas que é eficaz como a serenidade de verdade para efeitos externos. E calo. O dia e suas voltas ajudam. Calo e esqueço até que a noite chegue e o sono me permita berrar em silêncio seguro. O sono é a hora em que a coisa pode saltar pra fora livremente, bicho solto no escuro, com sua raiva, sua saliva e seu cheiro de pavor.
Por isso preciso tanto do meu sono. Meu sono é a coluna que sustenta o peso imobilizador de uma verborragia súbita.
Algo, porém. E permaneço acordada.
A iminência me assusta.
Então mantenho a serenidade. Aparente apenas, mas que é eficaz como a serenidade de verdade para efeitos externos. E calo. O dia e suas voltas ajudam. Calo e esqueço até que a noite chegue e o sono me permita berrar em silêncio seguro. O sono é a hora em que a coisa pode saltar pra fora livremente, bicho solto no escuro, com sua raiva, sua saliva e seu cheiro de pavor.
Por isso preciso tanto do meu sono. Meu sono é a coluna que sustenta o peso imobilizador de uma verborragia súbita.
Algo, porém. E permaneço acordada.
A iminência me assusta.
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