sexta-feira, 27 de julho de 2007

Indescrição

Eu sou a minha fome.

Meu corpo,
em cada fibra imersa em sangue,
é minha fome.

Minha fome dá forma a minhas mãos,
minha fome move meus pés,
minha fome rebola meus quadris.
Meus olhos só vêem através de minha fome.
Minha fome, e não meu corpo,
é que exala este cheiro,
e é minha fome, não meu cérebro,
que pári idéias e come lembranças.

Minha fome me faz um ser
de paixões viscerais e sentimentos físicos.
Amo com o estômago
e sinto na língua o gosto da saudade.
Nos punhos cerrados é que odeio
e na cegueira me revolto.

Minha fome fez de mim
um ser de paixões absolutas em si mesmas
e não faz diferença do objeto destas.
Sou agora um ser
que se consome e se aniquila
na sua plenitude de sangue,
carne
e ácido estomacal.

A fome é a medida e o porquê
de tudo o que passa pelos meus sentidos.
Minha fome sou eu.

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindo amei d +!
Me lembra uma sopa d Amalero manga, um toque Cordel e um leve sabor d Tom zé!
Sopa perfeita pra matar uma fome d viver!

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