sexta-feira, 23 de abril de 2010

- cara, te contei da quinta?

- o que? ah, é! como ficou a parada?

- po, sei lá cara... foi meio estranho...

- como?

- ah...

- vocês chegaram a...?

- mais ou menos... quer dizer, sabe como é... hehe

- caraca, tu é muito filho da puta hahahaha

- não cara, mas eu nem fui na intenção. tipo, fui mais porque ela pediu.

- ahm...

- aí ela falou aquelas coisas todas, falou um monte de coisa. fiquei malzão. me senti um merda.

- mas o que ela falou?

- ah, falou que eu não sei retribuir, que eu vivo me esquivando, que eu não sei me comprometer...

- hehehe

- po, fiquei mal cara. mesmo. me sentindo um canalha.

- mas cara, você por acaso queria se comprometer?

- não, eu sei, mas não é isso...

- ué, como não? é sim...

- eu sei cara, mas eu to falando que, po...

- o que?

- sei lá. às vezes eu concordo com ela.

- na verdade, eu também. às vezes.

- hahaha po, super tá me ajudando.

- ah cara, sei lá... você vai ficar chateado se eu disser?

- o que? não, po. fala aí. fala sinceramente.

- tem certeza?

- tenho, to falando.

- você é egoísta. viu? eu falei que você não ia querer ouvir.

- po, você acha isso mesmo?

- cara, não é exatamente um egoísta, mas de alguma forma você não sabe mesmo retribuir. mentira, você sabe. a questão não é essa. a questão é, você sabe o que eu to falando...

- o que?

- às vezes aceitar algo que você sabe que não vai retribuir é um troço mais filho da puta que tem. quer dizer, você conhece ela, você sabe o que ela quer. e sabe que por trás de toda essa coragem, essa decisão dela, na verdade ela só te dá colo porque quer o seu colo. cara, as pessoas são assim. na maior parte do tempo, as pessoas são assim. altruísmo quando envolve sexo é mentira.

- hahaha

- é verdade, cara. e você sabe disso.

- é... acho que sim

- agora, mudando de assunto, vamo ali comprar um cigarro rapidão.

- vamo.

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