sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

- cara, eu sei, mas é foda sabe...

- eu sei, não to falando que é fácil. mas você desiste muito rápido também.

- não é questão de desistir sabe... eu não consigo mais. cansei.

- claro que consegue, po. você consegue qualquer coisa que você quiser. mas você não tem disciplina. você tem que tentar, ser persistente.

- eu sei, eu sei... sei lá... às vezes eu só tenho vontade de dormir. dormir muito, por muito tempo. descansar, sabe... sei lá, ir embora. mas também não adianta ir embora, pra onde eu for vai ser do mesmo jeito...

- como assim, cara? nad...

- não, é sim. tá em mim sabe. e eu não sei mais o que fazer com essa porra. não quero mais, mas não dá pra tirar. parece um parasita. sei lá...

- cara, eu não quero ser ingênuo a ponto de te sugerir aquelas coisas babacas e óbvias do tipo "saia mais" ou "veja seus amigos" e "procure se ocupar". eu não te subestimo, eu sei que você já pensou nisso e que não é só questão de saber que seria bom. não, eu vou falar sério aqui contigo. você tem que escolher. eu não posso te ajudar, ninguém pode. você tá sozinha sim. eu sei, isso é horrível de se dizer, mas você tá sozinha com essa porra sim. porq...

- pooooorra... tu quer me matar, né?

- não, cara. presta a atenção. o que eu to falando é muito sério e num certo nível da coisa nós estamos sim, irremediavelmente sozinhos. nem eu nem ninguém pode alcançar essa solidão, nem em você, nem em mim, nem em nenhum filho da puta que esteja caminhando sobre essa porra de mundo doido. e essa solidão você vai ter que aceitar. você tem muito o que apanhar sozinha. todos temos. a gente apanha sozinho todo dia. e quanto mais se demora pra aceitar isso, mais dura e maior é a tarefa. você tem que ser forte. e você vai ser, porque no fundo você quer sim alguma coisa. e sinceramente, esse teu desânimo aí, você só se permite a isso porque vc tem pessoas que te amortecem nas batidas dessa espiral maluca que vc se enfiou. eu duvido que você daria de cara no concreto. então o que eu to fazendo é te mostrar que tem um concreto. você tá me entendendo? não sinta pena de si mesma. eu não tenho pena de você.

- eu não sinto pena de mim mesma!

- então não aja como se sentisse. é foda pra você, eu nem sei o quanto é foda, talvez seja mais foda do que qualquer coisa que eu possa cogitar. mas não importa. o que importa é que eu te conheço. e eu to vendo quando eu olho pra você, eu to vendo que você não é tão fraca assim, o teu problema é que você se apóia no carinho que tem ou que consegue. sabe o que você precisa? você precisa se parir.

- ?

- você precisa dar a cara a tapa. po, qual foi, sabe? você tem que sentir o tranco pra descobrir que aguenta. então pára de se esquivar.

- eu não me esquivo de nada, eu to aqui, sabe... to aqui nessa porra, não to? e você acha que eu to me esquivando?

- eu tenho certeza. olha de frente, tenha o mínimo de coragem! e você tem, você só não usa por comodidade. a hora que o circo pegar fogo, eu duvido que você queime junto. agora por essa cara que você tá fazendo agora eu to vendo que você tá achando essa conversa uma merda. e eu não vou nem dizer que eu sinto muito, porque eu não sinto. você precisa se parir, e eu sei que você tá me entendendo, você não é burra. ... agora eu vou nessa, garota.

- vai lá mesmo?

- vou.

- você sabe o que vai acontecer, né? quer dizer, você sabe o que eu acho.

- eu sei. não conheço você?

- talvez. talvez eu pense sobre o que você falou.

- eu sei que vai. você não é muito difícil de adivinhar. até mais, garota!

- até...!

Nenhum comentário: