terça-feira, 6 de setembro de 2011

olha como eu sou pilantra, postando no blog. nem tenho mais 15 anos, isso nem se justifica mais. mas eu continuo sendo a mesma tosca, com as mesmas lamentações. mentira, não são as mesmas, mas o sentimento é. to escrevendo pra mesma pessoa pra quem eu escrevia esperando que ele me salvasse. mas não espero mais ser salva, pelo menos nesse sentindo eu amadureci um pouquinho. não espero mais que as pessoas ajam como um meteoro, devastando e renovando meu mundo. espero só que elas continuem a ser elas, do jeito que as amo, e que continuem perto de mim. não acho que nada deva ser devastado, não sonho mais com páginas em branco. as coisas caminham bem mais lentas e dão trabalho, nenhum meteoro vai cair do céu, nada vai cair do céu, e assim eu desejo, na verdade.

agora eu to aqui, praticando a boa e velha modalidade inútil e vazia de existência. me sinto até em casa fazendo isso. todo aquele esquema que vc conhece bem. mas pra que? por que? to esperando que tenham pena de mim ou que me deem mais atenção? eu ficaria envergonhada se achassem que eu to precisando de algo, porque eu sei que não to. to com preguiça? é falta de vergonha na cara? não sei porque ainda me pergunto sobre isso, mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois que o desenrolar da coisa já se tornou conhecido e previsível. ainda to me perguntando sobre isso? nunca achei nenhuma resposta, não tem nenhuma. não tem nada por trás de se sentir vazio. nenhuma necessidade real, nenhum drama real, nenhuma filhadaputice. não tem motivo, quando vem não tem como fugir, só esperar passar. no big deal. nada fora do meu normal.

meu estilo está exatamente igual o seu. hehe. desculpas. mas é uma boa maneira de se expressar.

acho que ainda me pergunto sobre isso porque esse sentimento de estar empacada é uma merda. e eu não to, eu tenho consciência disso, mas me sinto no limbo do limbo que esse ano tem sido. "do latim, "limbus": orla, debrum, margem, franja". liminaridade. entre uma coisa e outra. eu adoro esse conceito, só não gosto de estar nele. a fronteira não é simplesmente uma linha que se cruza, há um espaço intersticial, as coisas não se dão por um pulo, o novo precisa ser gestado, criado, e enquanto se faz isso já não se está mais na posição anterior. nem na próxima. esses períodos de transição costumam ser entendidos em várias sociedades como períodos malditos, perigosos. pode-se achar que é simplesmente pelo risco de não se conseguir fazer a transição, mas acredito que é principalmente pela impossibilidade de enquadrar em categorias.

gestemos então, paciente e ativamente, o novo.

Um comentário:

Anônimo disse...

O limbo é tão grande ou tão pequeno quanto vc queira (se enganar), é uma forma de compartimentalizar. Na realidade é o limbo que permite qualquer divisão. Vc sabe, tão bem quanto eu que não passa de um processo, de um fatídico "tender à". Não existem novas fases, a gente só olha para trás e diz que não se reconhece, mas continua tentando se matar com gardenal e desmaiando com fortes emoções. Eu não sou uma boa pessoa pra colocar ng pro alto. Quanto mais rápido o ser humano se extinguir, melhor.